sábado, 10 de julho de 2010

O simbólico na Teodicéia: O Eros

Por Christiane Forcinito


O que é a "Teodicéia"?


Talvés esta seja a primeira pergunta quando se depara com um texto com esse título e isso é totalmente normal para quem nunca teve acesso a nenhum estudo filosófico ou se teve foi um estudo de nível básico e nada que tenha que se envergonhar por isso.


Teodicéia é o estudo da uma abordagem da questão de Deus a partir de um pensamento filosófico -religioso (na faculdade geralmente estudamos o pensamento ocidental) estabelecendo diálogo com o contexto sócio -cultural e político da época e atual. Se alguém discordar desta definição sinta-se a vontade para escrever, afinal ainda sou uma filósofa em construção.


A teodicéia possui bases antropológicas, estuda por exemplo a experiência humana do divino, a experiência religiosa no mundo grego onde podemos fazer várias releituras sobre a questão do mito, e se formos estudarmos este mesmo foco no mundo semítico poderemos fazer a mesma releitura nos elementos da crítica bíblica por exemplo.


A teodicéia estuda a questão do ser humano na busca do absoluto e o problema da "arché" em oposição ao mito e assim entrando em Platão com o mundo das idéias e a questão do "demiurgo", na metafísica de Aristóteles. Na questão do "Sumo bem" de Santo Agostinho e nas "Provas da existência de Deus" de Santo Tomás de Aquino.


Emfim é mais uma disciplina que se entrelaça com outras próprias da filosofia e que aqui vou me fixar neste texto nela e a questão do simbólico, mesmo porque amanhã farei uma prova sobre isso e aproveito não só para postar um novo texto no blog como estudá-lo e o clima propenso visto que muitos por aqui estão dando ênfase no Eros... e que tem muito haver com a questão do simbólico...


Na Natureza há um predomínio no simbólico isto é o Eros...


O Eros na mitologia Grega

O mundo era árido e sem vida e assim Eros “tomou suas flechas doadoras de vida, penetrando o frio seio da terra” e “imediatamente a superfície castanha ficou recoberta de luxuriante verdura”. Cria a vida.

Eros é a vivência das intenções pessoais e o significado do ato. É um estado do ser. Agarramos-nos a excitação e queremos que continue sempre, pois o Eros é a ânsia, a eterna procura de expansão.

Eros é a força que nos atrai, é a força que nos impele ao que pertencemos. União com nossas próprias possibilidades, união com pessoas significativas do nosso mundo, em relação a quem descobrimos nossa auto realização... “Areté” (existência boa e nobre que todos buscamos).

O Eros quer sempre estar desperto, pensando no amado, como os chineses dizem “experiência de múltiplo esplendor”, recordando, saboreando...

Eros é a busca da ampliação do estímulo, a fonte de ternura, a genuína união, na qual a finalidade do desejo não é a satisfação e sim seu prolongamento...O Eros é o desejo ardente, a ânsia , o desejo de amar. Resumindo: “Todo o começo é encantador”...


Eros e Sexo são diferentes para os gregos.
Sexo é redução de tensão, excitação fisiológica, a gratificação e a satisfação do desejo para depois de um ritmo e resposta vir a redução desta tensão e alívio.

O sexo vem do latim “sexus” que significa separação, como que distinguir funções fisiológicas, isto é o caráter macho e fêmea. É um termo zoológico, um padrão das funções neurofisiológicas.


O sexo é caracterizado pelo entumescimento dos órgãos e enchimento das gônadas (onde se necessita um alívio satisfatório). Sexo é necessidade, onde a finalidade do sexo é o orgasmo, mas não para o Eros.

Depois do sexo há o sono, o descanso e o alívio que o corpo responde.


Eros em Platão

“Lembrar do Eros deve-se voltar ao “Banquete”, onde Platão descreve o amor:” Não é mortal, nem imortal, mas fica entre os dois... É um grande espírito (demônio) e como todos os espíritos um intermediário entre o divino e o mortal... “É o medianeiro unindo o abismo que separa os homens e os deuses e, portanto nele tudo se reúne...”.

O amor significa dar forma interior da pessoa e buscar esta forma unindo-se á ela. O Eros é o impulso que o leva a unir-se com outra pessoa.

No caso de Platão é também a ânsia pelo conhecimento fazendo com que impila o homem ao encontro com a verdade.

Eros é a força geradora, isto é ela é eterna e imortal e esta criação é o ponto mais “Divino e imortal” que o homem pode chegar.

O Eros também pode ser o impulso para procriação mas no sentido de unir-se, assim como nos animais, mas os humanos estão em perene mutação, onde há uma dimensão de experiência psicológica e emocional quanto biológica.

No caso da psicologia o Eros se manifesta nesta procura do auto-conhecimento, expansão do “self”, no impulso do indivíduo se dedicar a busca da verdade. Eros tornando-se ponte do ser no vir - a – ser.

Santo Agostinho diz que o Eros é a força que nos impele para Deus. Nietzsche diz que está no amor fati. Camus o Eros nos impele para a auto - realização e nós, nossa natureza humana dificilmente encontrará melhor auxiliar que o “Eros” para nos impelis para o verdadeiro.



Uma Reflexão... A RUPTURA ENTRE AMOR E SEXO

Hoje vivemos numa sociedade onde há por um lado a banalização do sexo e do amor, onde o sexo é usado como instrumento para prova de sua própria identidade, isto é, usamos a sensualidade para ocultar a sensibilidade e assim castrando o sexo tornamo-os vazio e sem ligação com o amor.

A sexualidade sofreu transformações significativas inclusive no âmbito sociocultural, isto é, hoje é mais um objeto de mercado. A liberação sexual que a priori era uma tentativa de buscar uma expressão humana acabou tornando-se uma mudança de perspectiva na qual tornou o sexo mais uma ferramenta levando a separação de teorias como Eros e o sexo, ou seja, em toda essa abertura e questões subjetivas que foram se abrindo depois disso como por exemplo, gays, héteros, homens, mulheres que às vezes estão em um campo de batalha numa luta pelo poder a cisão ficou maior ainda na qual Eros e sexo não precisavam nem sequer existir, um não necessitava nem um pouco da existência do outro.

Hoje o sexo está mercantilizado também de tal forma que o “desempenho” se tornou palavra de ordem. Todos estão preocupados com sua forma, culto ao corpo e seu desempenho sexual. A pessoa se tornou um objeto de tal forma que perdeu totalmente sua subjetividade. E o que na época se procurava libertar (Anos 60) hoje se tornou alienação.

O capitalismo também lucra muito e com isso a sexualidade além de gerar prazer proporciona um incentivo para um comércio na qual fica evidente que a compulsão do comportamento atual está longe do amor der o “Eros” dos gregos.

Nesta grande inversão de valores há a instabilidade onde a cisão entre Eros e sexo se faz presente e abala as bases da sociedade, isto é a família, surge na sociedade a pressão também do capitalismo materialista com o nascimento de um herdeiro o que torna o casamento o sexo meio impositivo e obrigatório. Há também a ligação entre sensualidade e dinheiro na qual o desejo é inserido e o matrimônio começa a ser degradado, os problemas não são resolvidos entre o casal e acabam sendo despejados nos filhos e com isso divórcios e separações.

E com o culto ao orgasmo, expressão da mecanização do amor, hoje está tudo extremamente distorcido e os paradigmas rompidos. Hoje se procura alguém para não ficar sozinho, para aliviar suas tensões, enfim, se procura alguém por diversos motivos exceto pelos verdadeiros.

O amor, o que vem a ser o amor?

Hoje se perdeu a dimensão do que é o amor, do que é o corpo e a sexualidade... Não estou nem querendo parecer puritana, moralista, longe disso, bem longe disso... Quem me conhece bem sabe que não tenho nada de puritana e nem moralista.... Mas profundamente o que meus amigos e leitores acham?

Grande abraço!

1 comentários:

I.B.G. on 16 de dezembro de 2010 07:12 disse...

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